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Dandra



_dandra

Último post do The Small Island

O amor transforma as pessoas. O amor e o ódio andam lado a lado. Sensações, momentos, pequenos instantes, qualquer pequeno detalhe é muito importante pro amor. Ter grandes emoções, sentir ódio, rancor, raiva, alegria, exaltação, tristeza, tudo isso faz parte de um sentimento, de uma sensação que foi constatada como uma grave doença: amor deliria nervosa, que deixa as pessoas loucas, irracionais, que fazem de tudo pra não abandonar a pessoa amada, ou esse sentimento intenso.

Uma garota perdeu sua mãe pra essa doença, quando ainda era muito pequena. Ela cresceu sentindo falta da proteção, da sensação de segurança e paz que sua mãe passava quando ela era uma criança, e sua mãe corria todos os riscos por ela. Por ela e sua irmã.

Lena. Magdalena. Vive com sua tia Carol e seu tio William, e mais duas primas pequenas: Jenny e Grace, filhas de outra tia que também foi arrebatada por essa doença.

Lena tem 17 anos, e está contando os dias para sua intervenção. O momento em que receberá a cura para a doença. Ela vive sendo taxada como a garota com o passado negro na família. Sua mãe se suicidou depois de diversas tentativas do governo em fazer a intervenção dar certo. Após 3 vezes, ainda não foi suficiente para a mãe de Lena ser curada, e fazê-la esquecer de seu marido, que morreu com câncer, quando Lena tinha 6 meses de vida. 

Lena cresceu com um conceito pronto de vida. Do que é certo. Do que é errado. Vem se preparando pro momento em que tudo de ruim ficará para trás. Qualquer jovem prestes a completar 18 anos, passa por uma entrevista, onde será classificado de acordo com suas respostas, para ir a faculdade, e depois pareado com outra pessoa. Mas existem os rebelados, os excluídos, simpatizantes, os resistentes a esse sistema, que ao passarem pela fronteira, suas identidades são invalidadas, por isso são classificados como inválidos. Pessoas que são contra esse sistema, e querem ter o livre arbítrio de sentir, e ser independente de qualquer coisa. Todo o povo de Portland conhece os riscos de sair da linha, e Lena só quer ser curada, pra acabar com os boatos de que ela é igual a mãe.

Dessa vez esse livro da Lauren Oliver, não foi cansativo, demorado, como aconteceu com Antes Que Eu Vá, onde eu lia, lia, e as coisas demoravam pra acontecer, apesar de eu ter gostado como tudo terminou. Em Delírio, tirando a introdução: umas 50 páginas de ambientação; assim que Lena começa a conhecer o outro lado da moeda, a ficar intrigada com as indagações e dúvidas de sua melhor amiga Hana, que insiste em querer festejar, ouvir música proibida, e passar da hora de recolher; e depois que conhece Alex, o curado, que mostra-se tão interessando em ajudá-la, e as verdades vão sendo reveladas, o seu conceito de vida vai ficando distorcido. Uma sensação de querer entender o porquê de sua mãe ter feito o que fez. Tudo transforma a garota - que pra todo mundo é obediente, correta, e aos olhos da amiga Hana, medrosa em temer se arriscar às vezes - em uma pessoa diferente, que tem a sensação de enxergar apenas névoa nos olhos dos curados que conhece, como se eles não conseguissem sentir de verdade, mas os olhos de Alex são diferentes, ela percebe algo diferente, e sua primeira reação é fugir disso. 

O que gostei em Delírio, foi que ao gostar muito de como tudo se desenrolou, ainda tive uma sensação de que algo precisava ser mostrado. Como o mundo chegou ao que chegou. Apesar de pequenos trechos a cada início de capítulo, em que você tem uma noção de como o sistema funciona, de como ele transmite pra você o que a doença faz, ainda senti a falta de algo. Quando Lena chega no ponto principal em que algo muito importante vai ser revelado, eu parei o livro. Tenho essa mania às vezes, quando as coisas estão indo direto ao rumo importante da história, eu travo. Acho que eu precisava assimilar e suspirar por tudo, sabe? E assim que retomei, e cheguei nas últimas linhas, senti aquele aperto no peito... Aah, foi tão intenso. Quase chorei. Pode parecer um pouco piegas essa luta pelo amor, mas gente, o amor está em tudo! Não apenas na relação entre duas pessoas, que Lena luta pra entender, mas na relação familiar, no sentimento pelos amigos, nas coisas boas da vida, e tudo isso é tirado de você, só pra fazer o sistema funcionar corretamente.

E sim, você fica delirante com a situação, mas esse delírio faz você pensar se você está lutando por tudo o que gosta, ou se está apenas deixando passar.
# Delírio - Lauren Oliver postado 13 dias atrás RSS

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