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Os filmes de zumbis tem grande apelo na sociedade contemporânea. Lembremo-nos de Re-animator(1975), a volta dos mortos vivos(1985), Zombie - O Despertar dos Mortos(1978) de Romero, sem contar das séries, e animações, e agora temos até zumbis que podem amar como meu namorado é um zumbi(2013). São todos filmes que tratam de um mesmo tema, a saber,mortos que voltam a andar e ter uma fome por carne fresca humana (de preferência cérebros).
Stuart Gordon.Re-animator. 1975.
O mito dos zumbis tem forte tradição nas culturas primitivas da africa e América central, em particular no Haiti. Os zumbis, também chamados mortos-vivos, segundo a lenda, são seres que morreram, mas por ação de um sacerdote vodu regressaram à vida e se tornam escravos dessas pessoas. Foram convertidos em lenda e muitas pessoas acreditam que são reais, e de certo modo são.
Meu namorado é um zumbi - 2013
O presente ensaio pretende trazer este particular gênero do cinema para uma abordagem filosófica. Se os zumbis são mortos-vivos, pessoas que estão mortos, mas que podem andar e se alimentar, podemos então associar estes seres semi-mortos com pessoas que vivem em um estado semelhante. Pessoas que andam, se alimentam, mas estão completamente fora das preocupações do mundo contemporâneo.
A minha proposta é mostrar que os filmes de zumbis são uma alegoria do homem pós moderno. Este homem está muito bem representado como um homem que anda sem “destino”, sem perspectivas face a uma sociedade incoerente. O homem pós moderno vive em um mundo em que as significações das coisas não condiz com o mundo real. Para entender este problema vou chamar Karl Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) sobre o conceito de alienação.
Karl Marx, na obra Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel(1843), já registra algumas considerações de que a religião seja obstáculo para a luta do homem contra a “alienação”: “A religião é apenas o sol ilusório em torno do qual se move o homem enquanto não se move em torno de si mesmo”. A frase mais conhecida, certamente, é aquela que diz “A religião é o ópio do povo” (1993, pp. 77-78).
O filósofo, afirma que a religiosidade é simultaneamente expressão da alienação humana e instrumento para conservar o homem comum alienado da realidade e de si mesmo. Como ele chega a esta conclusão? Bem, ele parte do pressuposto que a crença religiosa tem um caráter ideológico nas sociedades. E historicamente, encontraremos o cristianismo como um dos poderes mais atuantes na história das sociedades ocidentais. A célebre frase: “a religião é o ópio do povo” representa muito sinteticamente toda uma concepção da força da sociedade que age no homem.
O zumbi, seria como o homem alienado de Marx, que está fora, a palavra alienação vem do latim alienare(alienus) e significa: que pertence a outrem (a um outro).
O zumbi, assim como o homem alienado está fora de si, está ausente de sua condição, como o zumbi, ele não se conhece, nem se interroga sobre si mesmo, com exceção do personagem do filme Meu namorado é um zumbi” neste filme o protagonista possui certa consciência de sua condição, ele sabe que seu nome começa por R, e que tem um amigo que se "comunica" . É o mais próximo da representação do homem pós moderno, ele vive como o personagem R, ele come, anda, conversa, mas desconhece completamente sua história e sua condição de escravo do trabalho e do mercado capitalista. Diante de tantos Mcdonalds, chille beans, mercedes, e tantos outras “fomes” e “sedes” o homem pós moderno surge como um ser que desconhece, vive como um morto-vivo numa sociedade que preza somente o consumismo, e que o ter é mais importante que o ser.
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Referências:
Marx, Karl. Introdução à crítica da filosofia do direito de Hegel. 1a edição 1843. Lisboa, Edições 70.
Filmografia:
levine, Jonathan. Warm Bodies. Mandeville Films. 2013. EUA. 1:37mim.
Oi Nelson. Tudo bem comigo. E contigo? ^^