Tamires Paulino
Último post do Alguns caracteres de fama
Essa semana foi... “Diferenciada”. Sim, pois dois dias dela foram capazes de mudar 20 anos da minha vida em 315 minutos. Eu explico.
Na segunda-feira, passei um dia ansioso. Andava de um lado para outro e quando fui tentar dormir, as horas não passavam e nem isso fui capaz de fazer. Às 6 da manhã eu já estava de pé. Iria conhecer o meu maior ídolo nesse país.
Enquanto me arrumava, acabei perdendo a hora, como é de praxe. Resultado: eu e minha amiga Bruna começamos a correr feito loucas na Barra Funda, ou perderíamos o ônibus fretado que nos levaria ao nosso destino, ou como eu gosto de dizer, à minha Disney pessoal.
Chegando lá, tanta beleza que eu mal podia acreditar. Desde que eu me conheço por gente, vendo pela TV, sonhava em estar ali, no Sistema Brasileiro de Televisão, ou no SBT, como queiram. Entreguei meus documentos e mal pude acreditar quando pronunciei, ao ser perguntada, “vou ao Programa Sílvio Santos”.
Chegando ao estúdio 3, fomos muito bem recebidas por uma equipe que faz jus ao slogan da emissora: “a TV mais feliz do Brasil”. Juro que eu nunca havia visto antes tanta gente sorrindo em estar trabalhando. E mais, gente que trabalha com gente – e trata bem. Tomamos café da manhã, fomos maquiadas e passamos por uma equipe de cabeleireiros. Muita gente ali, simples, talvez nem tivesse condições de passar sempre em um salão de beleza. Confesso que foi muito bonito observar suas reações.
Quando finalmente entramos, o nervosismo só aumentava. Fiquei alternando olhares para o relógio e a porta até que (muitos, muitos) minutos depois, Senor Abravanel finalmente deu o ar de sua graça e eu, como já de se esperar, me acabei em lágrimas.
Simpático, o senhor que mesmo pessoalmente muitas vezes nos faz duvidar de seus 81 anos, agradeceu a nossa presença e me proporcionou os primeiros 135 minutos de felicidade plena na semana. Ao final, me emocionou mais uma vez ao dizer para a platéia “vocês ajudaram a construir esse lugar e, agora que sabem o caminho da casa de vocês, voltem quantas vezes quiserem”.
Devo agradecer ao Sílvio também por ele ter diminuído a minha tensão para o dia de amanhã, que com certeza chegou bem mais rápido. Na quarta-feira, eu contei as horas para ver o relógio marcando 21:50 e, quando ele finalmente o fez, preparei uma pipoca e sentei-me no chão da sala.
Eu não sei assistir jogo calada. Sempre assisto sozinha, porque ando, como, falo, comento e sofro; sofro muito! Ontem, porém, o nervosismo era tanto que eu mal falei até depois que o jogo entre Corinthians e Boca Juniors acabou.
Desde mais novinha eu dizia que um dia o Corinthians ia disputar uma final de Libertadores contra o Boca. Sim, porque se o Corinthians é o meu time do coração, do DNA, o Boca é o time que eu... Adotei. Sim, eu gosto de ver o Boca jogar e os acho o equivalente argentino do Timão (com bem menos qualidades, é claro). Mas ontem eu sequer lembrei disso, era só Corinthians.
Acompanhei a escalação e fiquei feliz pois o camisa 23, Jorge Henrique, estava de volta. Sabia que ele faria falta como fez ao se machucar no jogo de ida. Sua simples presença me deu um pouco mais de confiança, pois o time estaria completo como tem que estar, como Tite montou.
O primeiro tempo foi nervoso, tenso. Refletiu o meu estado e o de outros milhões de corinthianos. Eu torci para o relógio correr. Correr e manter o resultado de 0 x 0, pois eu sabia que uma conversa com Tite no intervalo daria jeito nisso. E como deu.
O time voltou com outra cara e eu automaticamente fiquei mais confiante ao ver Emerson Sheik sacudir as redes. Comemorei, mas não dei o jogo como acabado, afinal, com tanto tempo acompanhando o time argentino – desde os tempos áureos de Palácio, Palermo, Tévez... – eu sabia que, mesmo que ainda não estivessem com esse time de estrelas, o que vale é a raça que o time sempre apresentou. E claro, a catimba.
Para a minha surpresa, porém, o Boca ficou nervoso, com pressa. E a catimba foi toda nossa. Aliás, toda nossa não, toda dele. Emerson me fez rir muito no capítulo à parte que foi seu embate com Caruso na história do jogo. Mas o argentino se controlou até o final. Já Emerson queria mais e fez. O segundo gol do Corinthians saiu de seus pés após passe espertíssimo de Danilo (que recebeu de Jorge Henrique, vejam só) e eu não me controlei mais. Simplesmente gritei, bati no chão e disse “acabou, é nosso”. E agora pouco importa se ainda faltavam 20 minutos para acabar.
Ao fim dos tais minutos, quando Fábio Santos entregou a bola ao árbitro, eu simplesmente deitei no chão e chorei. Como se comemora algo que se esperou antes mesmo de ter noção do que é ser gente? Sim, pois pouco depois de completar meu primeiro aniversário eu já estava vendo meu time enfrentar seu maior rival e pronunciando uma das poucas palavras que eu sabia: “Corinthians”. Depois de chorar, finalmente soltei o grito de campeão das Américas há tantos anos preso na garganta. Agora, vamos todos ao Japão. Seja de corpo presente ou olho na tela, a terra do sol nascente receberá mais 30 milhões de loucos.
Ps: fotos do Programa Sílvio Santos por Bruna Joaquim.
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